19 de agosto de 2010
18 de agosto de 2010
Mais um uno sem se saber as verdades...
Quem mais estava envolvido com o ato/fato?
O que de verdade aconteceu ao poeta?
Onde está seu corpo?
Por que a família de García Lorca só faz aumentar o silêncio e a ignorância sobre o que aconteceu ao poeta?
25 de março de 2010
Spanish Bombs - The Clash
Spanish songs in Andalucia
The shooting sites in the days of '39
Oh, please, leave the ventana open
Federico Lorca is dead and gone
Bullet holes in the cemetery walls
The black cars of the Guardia Civil
Spanish bombs on the Costa Rica
I'm flying in a DC-10 tonight
Spanish bombs, yo te quiero y finito
Yo te guerda, oh mi corazon
Spanish bombs, yo te quiero y finito
Yo te guerda, oh mi corazon
Spanish weeks in my disco casino
The freedom fighters died upon the hill
They sang the red flag
They wore the black one
But after they died it was Mockingbird Hill
Back home the buses went up in flashes
The Irish tomb was drenched in blood
Spanish bombs shatter the hotels
My senorita's rose was nipped in the bud
Spanish bombs, yo te quiero y finito
Yo te guerda, oh mi corazon
Spanish bombs, yo te quiero y finito
Yo te guerda, oh mi corazon
The hillsides ring with "Free the people"
Or can I hear the echo from the days of '39?
With trenches full of poets
The ragged army, fixin' bayonets to fight the other line
Spanish bombs rock the province
I'm hearing music from another time
Spanish bombs on the Costa Brava
I'm flying in on a DC-10 tonight
Spanish bombs, yo te quiero y finito
Yo te guerda, oh mi corazon
Spanish bombs, yo te quiero y finito
yo te guerda , oh mi corazon
Oh, mi corazon
Oh mi corazon
Spanish songs in Granada
Oh mi corazon
23 de fevereiro de 2010
A violência do silêncio
Por Syntia Alves
Originalmente publicado na Revista Aurora - PUC-SP
Para violentar alguém muitas vezes é preciso mais do que crueldade, é preciso saber o que de fato é doloroso para aquele que se quer atingir. Às vezes as agressões precisam sair do lugar comum do que conhecemos como os modos de violência, nem sempre um ataque físico ou verbal é capaz de acertar o alvo da maneira que se pretende. Isso já é sabido há muito tempo e os atos de violência têm atingido requintes surpreendentes, mas às vezes sua eficiência se deve à atuação de maneira muito simples.
As ditaduras há muito já sabem o quão violento pode ser o silêncio. Não permitir que se fale, que se escute, que se pense foi uma das violências mais eficazes descobertas pelo homem. Atingir alguém pelo silêncio, pelo não dito, pela ignorância é matá-lo para os outros, é destruí-lo de forma tão eficaz quanto uma bomba atômica, que vai direto aos átomos. O ostracismo é a violência silenciosa que pode fazer desaparecer pessoas e idéias e sem gerar grandes resistências.
Ao assassinar Federico Garcia Lorca os generais franquistas não tinham como alvo um agente de guerra; a figura de Lorca não era uma força ameaçadora no contexto comum de uma guerra civil, no qual civis vão à luta armada escolhendo um bando para se aliar. A ameaça de Lorca não era bélica, mas como definiu Ruiz Alonso 1, Garcia Lorca era mais perigoso com uma pluma na mão do que muitos com uma arma. Assassinar o poeta mais importante da Espanha no século XX foi um ato violento não apenas pelo fusilamento, ou pelos “tiros en el culo por maricón” que Juan Luis Trescastro se gabou de ter disparado. A violência cometida contra Garcia Lorca é uma violência plural no sentido em que tinha muitas intenções e muitos alvos, não apenas a simples morte de um homem que era uma figura dentro e fora da Espanha da década de 30.
O fato é que até hoje não se sabe se Lorca recebeu de fato esses tiros descritos acima, nem ao menos se sabe onde está o corpo do poeta – o que significa não saber exatamente quando Lorca morreu, o que aconteceu com ele, onde aconteceu sua morte e nem que violências ele pode ter sofrido. A busca pela fossa de Lorca, que começou há pelo menos 30 anos, não tem como finalidade responder às questões anteriores a fim de ilustrar com imagens sádicas o assassinato de uma pessoa pública, como gostam de fazer os meios de imprensa marrom e sensacionalistas. Trata-se de trazer à luz a verdade dos fatos, acabar com as mentiras, suposições e, principalmente, acabar com o silêncio.
O silêncio pode ser torturante. E o silêncio que existe em torno da morte de Lorca chega a ser ofensivo, significa tentar colocá-lo em um lugar de esquecimento, minimizando a importância de sua obra ou o impacto de suas palavras. A morte de Garcia Lorca foi autorizada pelos generais que dominaram a Andaluzia em agosto de 1936, segundo documentos da época, e depois de sua morte a obra de Lorca foi proibida na Espanha por muitos anos. Até o ano de 1975, quando morreu Franco, o volume das obras completas de Lorca tinha menos da metade do que se conhece hoje das obras do poeta. Manter a Espanha na ignorância é uma das maiores violências que se poderia cometer contra Garcia Lorca, afinal ele levou por todo o território espanhol um pouco de cultura sobre os palcos do grupo mambembe “La Barraca”, encenando os clássicos do teatro espanhol em povoados onde a taxa de analfabetismo era altíssima. Silenciar a voz do homem que subiu em palcos, palanques e concedia entrevistas denunciando a pior burguesia da Espanha 2, a ditadura de Salazar ou se colocando ao lado do partido dos pobres 3, como fez Lorca, seguramente é mais violento que os tiros e o corpo na fossa que se atribuem à sua morte.
A obra de Garcia Lorca foi como uma voz da Espanha que ecoou em diversos países. Inglaterra, França, Portugal, EUA, Cuba, México e Argentina conheceram a obra de Lorca entre as décadas de 20 e 30, e com sua obra Lorca tornou conhecidas diversas facetas da Espanha: um país agrário, que no século XX, tinha parte de seu território vivendo na época medieval, tradições católicas e ciganas que conviviam baixo uma história de imigrações e dominações, trajetórias de muçulmanos e católicos. As obras de Lorca eram vistas, já em sua época, como representantes de um país multifacetário que a muitos encantava, mas que a outros causava repulsa. Espanhas que se reconhecem, se encontram e se negam na obra de Lorca: Catalunha, Madrid, Galícia, Andaluzia.
Entre os anos de 1936, início da Guerra Civil Espanhola, e 1975, ano da morte do General Franco, estima-se que morreram na Espanha entre 350 e 400 mil pessoas, mortes provocadas pelo conflito político interno pelo qual passava o país, porém mais da metade das mortes aconteceu depois de 1939, quando a guerra já havia acabado e a Espanha estava sob governo de Franco. Mesmo com o fim da guerra era preciso silenciar muitas vozes, um silêncio violento e gerado a custa de muita violência, a fim de construir a “verdadeira Espanha”: militar, nacionalista e católica e que fez derramar sangue tanto daqueles que se negavam a aceitar uma faceta como a verdadeiramente espanhola, quanto defensores desta visão uniforme do que devia ser o país. Foram muitos mortos de todos os lados, em todos os bandos, homens, mulheres, crianças, estrangeiros, espanhóis... Os mortos da Espanha durante esses quase 40 anos são, cada um, símbolos de silêncio forçado, opressão. A violência de não poder dizer, de não poder pensar, tão típica das guerras e ditaduras. A violência do eterno medo que tomou conta da Espanha e que ainda hoje se respira em várias partes do país. O medo do passado que cria a ignorância do presente.
De que maneira, de fato, Federico Garcia Lorca foi morto, quando e onde está seu corpo, ainda hoje não se sabe. E poucas vezes se buscou saber, tanto pelo governo da Espanha, quanto pela família do poeta – ao menos essas buscas não aconteceram publicamente. E por que não há interesse em saber o fim real da vida de Lorca? O que lhe teria acontecido? Quem estaria envolvido? Não saber as respostas a essas questões é deixar a verdade no campo da especulação, da imaginação, e é manter Garcia Lorca mais vivo no que diz respeito às especulações, mas morto com relação à sua própria história, à história de seu país, é condená-lo a ser ignorado pelas futuras gerações, e isso, para Lorca, certamente é muito violento.
Notas
1Ruiz Alonso foi o responsável pela prisão de Federico Garcia Lorca, e a periculosidade por ele atribuída ao Lorca foi a causa da prisão do poeta, e tal prisão desencadeou na morte do poeta. Um dos detalhes mais importantes da participação de Ruiz Alonso é o fato dele ter conseguido a prisão de Lorca sem a autorização de nenhum general, como que um trunfo próprio deste que nem ao menos era membro da Falange. Segundo os relatos, a prisão de Lorca poderia não tardar muito, porém o poeta ainda não era alvo de Franco naquele agosto de 1936.
2 “A pior burguesia da Espanha” foi a maneira que Lorca usou para descrever o que gerou o repovoamento de Granada, depois da tomada católica em 1492. A declaração está na entrevista do poeta publicada no jornal “El Sol”, de 10 de junho de 1936.
3 Quando perguntavam a Lorca sobre sua posição política sua resposta era de que ela era partidário dos pobres.
21 de janeiro de 2010
Escavações da fossa
Arqueólogos ainda buscam corpo de García Lorca da Folha Online
Federico Garcia Lorca morreu no mês de agosto de 1936.
5 de dezembro de 2009
Um café em Madri com Ian Gibson, prato principal: Federico Garcia Lorca
Ian Gibson, irlandes, mas desde 1984, cidadão espanhol. Hispanista internacionalmente reconhecido por seus trabalhos biográficos, principalmente sobre Federico García Lorca a quem se dedica a estudar desde a década de 60. Sobre o poeta, publicou mais de uma dezena de livros, sendo os títulos mais recentes “Vida, pasión y muerte de Federico Garcia Lorca”, “El hombre que detuvo a Garcia Lorca” e o mais recente “Lorca y el mundo gay”. Gibson publicou também biografias sobre Salvador Dalí, Antonio Machado e outros nomes importantes da cultura espanhola. Além de sua obra literária, realiza intensa atividade jornalística, televisiva e radiofônica. E somado a tudo isso, teve a generosidade de conceder -me em um café de Madri a entrevista abaixo:
Publicado em:
http://pucsp.br/revistaaurora/ed6_v_outubro_2009/entrevistas/ed6/6_1_um_cafe.htm
21 de novembro de 2009
Documentário "El mar deja de moverse"
Documentário de Emilio Ruiz Barranchina
Asesinato
Cómo fue?
Una grieta en la mejilla.
Eso es todo!
Una uña que aprieta el tallo.
Un alfiler que bucea
hasta encontrar las raicillas del grito.
Y el mar deja de moverse.
Cómo, cómo fue?
Así.
Déjame! De esa manera?
Sí.
El corazón salió solo.
Ay, ay de mí!
( Federico Garcia Lorca )
Federico Garcia Lorca, ao poetizar sobre a morte brutal de um assassinato, nomeia o documentário de Emilio Ruiz Barranchina, “El mar deja de moverse”, que fala sobre a morte do próprio poeta. O filme estreou na Espanha em setembro de 2006, ano em que a morte de Lorca completava 70 anos.
Sete décadas depois e ainda se fala da morte de Lorca. Na verdade, o correto seria afirmar que agora é possível falar abertamente sobre a morte de Garcia Lorca. Mas o mais importante é que ainda muito se silencia sobre o assunto. Federico Garcia Lorca e suas obras foram assuntos proibidos na Espanha franquista, ou seja, até a segunda metade da década de 70, quando o país entra em processo de redemocratização. Foi só nesse momento, quase 30 anos atrás, que a Espanha volta a falar publicamente nas obras de Lorca e principalmente se perguntar o que de fato aconteceu com o poeta.
Na Espanha atual, Federico Garcia Lorca é tido como um patrimônio nacional, o poeta da Espanha, o segundo espanhol mais traduzido no mundo. Suas obras são frequentemente encenadas, seus poemas que décadas atrás foram musicados, hoje servem de base para músicas pop, essas que tocam nas rádios de audiência jovem. Quando se fala dos símbolos espanhóis sempre se tem um poema ou uma frase de Garcia Lorca para ilustrar: o flamenco, as touradas, o catolicismo, o amor e a morte. Parece que Federico Garcia Lorca serve para falar de muitas coisas da Espanha, mas não serve para falar de si mesmo.
“El mar deja de moverse” trata, portanto, do assassinato do poeta, dos temas proibidos que envolvem sua morte, e da guerra da Espanha. Para falar da Guerra Civil Espanhola, o documentário nos apresenta pesquisadores, historiadores, artistas, herdeiros da história da família Garcia Lorca e das facções políticas de direita e de esquerda da Espanha da época. O tema central do documentário é a morte de Garcia Lorca, mas é visível a preocupação do diretor em situar as pessoas e os fatos que foram importantes no desenrolar da história. Assim, o diretor volta no tempo e visita a Granada do século XIX, situando o espectador de como estava o sul da Espanha: os problemas econômicos que o país enfrentava, a oligarquia e o domínio de Granada nas mãos de apenas três famílias. A família Garcia Lorca era uma delas. São as disputas políticas, econômicas e sociais que vão sendo colocadas ao longo do filme mostrando como se estruturou a vontade de ver Federico Garcia Lorca morto.
O diretor também coloca qual visão uma parte da Espanha tinha do poeta e nos traz questões que foram fundamentais para o assassinato de Lorca: em 1936, Lorca já era famoso em toda a Espanha, na América por onde passou e era reconhecido como uma das cabeças mais visíveis do mundo cultural da Espanha. A Espanha tinha como um dos artistas mais importantes um poeta, de esquerda e homossexual. É muito claro que para os mais conservadores isso não era motivo de orgulho, mas sim de recusa dessa identificação. Havia muito ódio de Lorca por esses 3 motivos: pelo reconhecimento de sua obra, pelo seu posicionamento político e por sua sexualidade.
As prováveis causas do assassinato de Lorca foram levantadas pelo diretor ao longo do documentário sem grandes cerimônias, coisa que nem sempre acontece quando se fala da morte do poeta. A morte de Federico Garcia Lorca ainda é tratada por sua família como um tabu. Seus dois sobrinhos ainda vivos, Manuel Fernández Montesinos e Isabel Garcia Lorca, presidente da Fundação Federico Garcia Lorca, dizem que em suas infâncias não se falava em casa da morte do poeta. Ambos aparecem no documentário reforçando a idéia do silêncio em torno do assassinato de Lorca. Mas muitas outras pessoas, afastadas da história familiar dos Garcia Lorca, falam de sua morte e a questionam, e assim Barranchina questiona ao longo de seu filme.
Outro ponto importante que é levantado no documentário, mas que a família Garcia Lorca ainda segue tentando abafar, é a homossexualidade do poeta. Ian Gibson, o estudioso de Federico Garcia Lorca mais reconhecido no mundo, é uma peça importante para os estudos de Lorca e ele nos coloca o raciocínio de que o país que criou a expressão “macho” com a força que ela carrega, também põe muito peso na expressão “maricón”. O fato é que o ódio aos homossexuais segue sendo muito forte na Espanha, ainda hoje. Apesar de o filme não adentrar na vida sexual de Federico Garcia Lorca, seus amantes e seus amores, é contundente e quase crua a forma com a qual se fala que a homossexualidade do poeta foi sim um fator determinante em seu assassinato. Félix Grande, outro importante pesquisador da vida e da obra de Lorca diz que frequentemente se passa por cima da idéia da homossexualidade como uma das causa da morte do assassinato de Lorca, como que se ignorando que a homofobia é fascista e fanática. E a importância da homossexualidade de Lorca como um dos fatores de seu assassinato ainda é ressaltada com a frase de Luiz Trescastros, um dos assassinos de Federico Garcia Lorca, que declarou que “lhe deu tiros no cu por ser maricón”. Havia contra Lorca muita inveja, inveja por sua obra, genialidade, e seu carisma. A inveja contra o “maricón” se tornou em ódio, nos diz Gibson.
Mas o que o filme aborda com maior ênfase são as intrigas políticas que suscitaram na morte de Federico Garcia Lorca. Os fatos, da maneira com a qual o filme nos apresenta, nos da a impressão de ter sido a morte de Lorca uma tragédia grega, inexorável, com muitos fatores que convergem para o fim trágico. Havia muito ódio contra seu pai em Granada, ódio por seu rápido enriquecimento e porque tinha posições políticas mais progressistas. Em “Boas de Sangue”, a personagem da noiva diz não ter culpa da tragédia que se passou ao longo da peça, que a culpa não era sua, mas que a culpa é da terra. De uma maneira ou de outra, por instinto ou por questões de posse, Lorca devia saber a força que tem a terra e sentia como os assuntos de terra criam, como sempre, muito ódio, muita briga, e que assim se mata por muito pouco.
Nesse sentido, o filme caminha pra uma questão importante: Federico Garcia Lorca foi um homem político? A pergunta é importante não pela tentativa de se descobrir a verdade, nem para traçar o comportamento político do poeta, mas por trazer a tona uma questão que sua família tenta silenciar: a postura que Lorca teve diante da sociedade de seu tempo e como ele reagiu a essa sociedade. Enquanto alguns depoimentos do filme dizem que não, que Lorca não foi um homem político, como seu amigo dos tempos de Residência, José Bello, hoje com 103 anos, que afirma nunca ter ouvido Lorca falar sobre política e diz que o assunto não interessava nada ao poeta. Não o interessava “nem a esquerda, nem a direita”. Além de José Bello, a família do poeta também defende o posicionamento apolítico de Federico, e seu sobrinho, Manuel Fernández Montesinos, diz que é de conhecimento geral que seu tio repudiava enquadramentos políticos, que Federico Garcia Lorca não queria ser taxado por algum pensamento, nunca quis participar de nenhuma organização que o obrigasse a ter regras e comportamentos pré-estabelecidos.
Porém, há opiniões contrarias. Ian Gibson nos coloca a situação política e social da Espanha naquele momento que margeava a guerra e diz que era impossível não ter posição política, impossível ignorar a Frente Popular ou biênio negro. Todos se situavam e Lorca não foi exceção: se colocou contra o Fascismo, assinou manifestos, recitou o romance da “guarda civil” em Barcelona e quase foi preso por causa disso. Como coloca Ian Gibson “Lorca não era de partido, não assinava “carnês” de partidos, porém Lorca teve uma obra revolucionária, era um homem revolucionário e foi percebido como tal, principalmente pela direita, mas tinha uma linha socialista”. Lorca teria assinado manifestos contra Franco, e estar contra a um posicionamento político é um ato político.
Ainda no âmbito político, o filme faz questão de deixar bem claro que Garcia Lorca não foi assassinado por toda a direita da Espanha da década de 30, mas por uma facção da direita que ia contra outras linhas de direita. O diretor mostra como havia divergências políticas dentro dos grupos envolvidos na guerra e como nem a esquerda e nem a direita tinham posições homogêneas.
Mas, se as evidências mostram que Lorca teve uma atitude política, por mais que não tenham sido ações partidárias, por que seus herdeiros negam o peso político da obra de Lorca? E por que não querem reabrir a fossa onde se crê que esteja o corpo de Lorca fuzilado? Essas questões são feitas abertamente por Ian Gibson que se coloca pessoalmente interessado em saber o que aconteceu com Federico Garcia Lorca, se de fato ele está onde foi indicado, se o torturaram, assim como muitos admiradores da obra do poeta também se interessam em saber. Com menos força a reposta a tal pergunta é dada por Isabel Garcia Lorca, com um caráter tendendo ao generoso, mas pouco convincente, dizendo que escolher entre uma vítima, ou seja Lorca, tira-lo de onde está seu corpo, seria um erro, afinal a memória está no lugar que estão as fossas.
O filme vale a pena pelas reflexões que traz, pelos depoimentos de pessoas que se interessam e que buscam informações sobre a vida e a morte de Lorca. Vale a pena por não deixar que a memória do poeta e os fatos que acarretaram sua morte sejam esquecidos em uma fossa soterrada pelo tempo. Se na fossa segue o silêncio sobre a morte de Federico Garcia Lorca, o filme nos faz pensar que mesmo em silêncio o mar não deixa de se mover.
Publicado em:
http://pucsp.br/revistaaurora/ed5_v_maio_2009/resenhas/ed5/5_resenha.htm
